Aparentemente ele parece tudo, um skatista, um vocalista de banda de rock, menos um homem que comanda uma cozinha, com suas tatuagens e seu ar jovial, ele afirma que sua vida é cozinhar e que não é muito de balada.
Autêntico, despojado e moderno, assim podemos definir André Mifano, chef do Restaurante Vito, situado na Vila Beatriz em São Paulo. Mifano confessa que não se sente muito à vontade com esse termo chef, para ele só se chega a ser considerado um chef após anos de profissão, o que seus 14 anos ainda não foram suficientes, diz o “cozinheiro”, termo que ele se sente mais a vontade, que também acredita que cozinhar é um oficio e não uma arte.
Mifano começou na área por necessidade, lavando louça, segundo ele, chorava todos os dias e pensava: – “Isso não é vida”. Depois de um mês, viu que ia morrer cozinhado, quando o cozinheiro do restaurante que trabalhava foi mandado embora e teve que assumir a cozinha: – “É absolutamente viciante esse clima de cozinha, que pode ser definindo por algumas palavras: perigo, correria, quente, porém satisfatório quando termina um prato e sabe que foi bem preparado”.
Mesmo estudando em um dos berços culinários mais famosos, Londres, admite que não se aprende a cozinhar em escola, e sim cozinhando, com a prática. “Não tenho o dom de cozinhar, sou esforçado, até hoje quando entro na cozinha acho que vai dá tudo errado. Tem alguns jovens que acabam a faculdade e já se considera um chef, uma grande piada! Primeiro que para ser chef precisa ter anos de experiência e segundo precisa ter uma cozinha para comandar.”
Modéstia a parte, apaixonado pela cozinha, ambiente que se sente mais a vontade e que passa a maior parte do seu tempo, André é uma sensação no meio gourmet na atualidade. A frente do Vito, o chef traz o charme da culinária italiana clássica para a modernidade e agitação de São Paulo.
“Vivo a gastronomia italiana ‘geneticamente’ podemos dizer assim, já que minha família é toda italiana. Eu faço um tipo de comida que não é para mídia. Faço a cozinha que eu quero, no restaurante que eu sempre quis e todos os salários estão pagos” diz André Mifano.
Questionado como se pode fazer uma comida contemporânea nos dias atuais, André disse que o que é mais importante e que não muda são as técnicas. “Acho que é a técnica. Os produtos obviamente evoluem, então tem que saber como usar e onde usar para deixar o sabor o mais próximo da realidade dos pratos feitos, por exemplo, do século 17”.
Aparentemente ele parece tudo, um skatista, um vocalista de banda de rock, menos um homem que comanda uma cozinha, com suas tatuagens e seu ar jovial, ele afirma que sua vida é cozinhar e que não é muito de balada. “Entro cedo no restaurante e saiu tarde, vou para casa, dou comida para os meus cachorros, estudo um pouco e vou dormi lá pelas 4h da manhã e assim é a minha rotina, ainda bem que não sou de dormi muito” afirma o chef.
Fernando Assad Abdalla
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